segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A vida é como um piquenique


A vida é como um piquenique numa tarde de domingo, ela não dura muito tempo. Só ...olhar o sol, sentir o perfume das flores ou respirar o ar puro já é uma dádiva. Mas se tudo o que fazemos é ficar discutindo onde pôr a toalha, quem vai sentar em que canto, quem vai ficar com a maçã ou com a laranja..., que desperdício! Mais cedo ou mais tarde o tempo fecha, a tarde cai e o piquenique acaba. E tudo o que fizemos foi ficar discutindo e implicando uns com os outros. Pense em tudo o que se perdeu.

(Chagdud Tulku Rinpoche)

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O Laço e o Abraço



Meu Deus! Como é engraçado!

Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... uma fita dando voltas.
Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o laço.
É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço.
É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço.
E quando puxo uma ponta, o que é que acontece?
Vai escorregando... devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.
Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.
E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.
Ah! Então, é assim o amor, a amizade.
Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita.
Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora,
deixando livre as duas bandas do laço. Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços.
E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço.
Então o amor e a amizade são isso...
Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço.

Mário Quintana

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

MEDITAÇÃO: DEIXE SER O QUE É



O ensinamento do Buda corresponde a um modo de vida. É um caminho para se viver uma vida equilibrada, serena e proveitosa: um caminho que nos oferece uma saída para a série infindável de problemas e lutas que enfrentamos na vida. Podemos descobrir este caminho na meditação, uma via que nos abre para o significado da iluminação. 

Embora a meditação seja, na verdade, muito simples, é fácil nos confundirmos com as muitas e diferentes descrições das práticas meditativas. Esqueça-as todas e apenas sente-se em silêncio. Fique muito quieto e relaxado, e não tente fazer nada. Deixe tudo - pensamentos, sentimentos e conceitos - passar por sua mente, sem atrair sua atenção. Não agarre as idéias ou pensamentos à medida que vêm e vão, nem tente manipulá-los. Quando você acha que tem que fazer alguma coisa em sua meditação, apenas a torna mais difícil. Deixe que a meditação se faça por si mesma.

Depois de ter aprendido a deixar os pensamentos passar por você, deles diminuem de velocidade e quase desaparecem. Então, atrás do fluxo dos pensamentos, você sentirá uma sensação que constitui a base da meditação. Quando entrar em contanto com este lugar silencioso que há por trás de seus diálogos internos, deixe que sua consciência dele fique mais forte. Você pode simplesmente repousar nesta quietude, porque, nela, não há nada a fazer; não há motivo algum para produzir alguma coisa ou parar alguma coisa. Apenas deixe tudo ser.

Quando meditamos deste modo simples e receptivo, a qualidade meditativa gradualmente se torna mais pronunciada e sua experiência mais imediata. Após cada meditação, a luz desta experiência permanecerá e se fortalecerá com a prática. A meditação simplesmente vem por si própria, como o Sol da manhã; a atenção interior, uma vez tocada, irradia-se naturalmente. Todavia, encontrar esta atenção interior requer prática diária, de modo que é importante reservar tempo para a meditação.

À medida que perseverarmos em nossa prática, saberemos, ao examinar nossas vidas, se estamos no caminho certo e se a nossa meditação é eficaz. Quando a nossa mente está serena e mais amorosa, quando as nossas emoções são constantes e estáveis, e a nossa vida transcorre sem tropeços, então saberemos que estamos progredindo.

O silêncio interior que brota da meditação alivia a tensão destes tempos de mudanças rápidas, em que é tão fácil perdermos nosso senso de estabilidade e de equilíbrio. Ao tentar fazer coisas demais em tempo muito curto, podemos ficar agitados e transtornados. Porém, quando nossa mente está relaxada e quieta, a vida se torna simples e equilibrada, livre de extremos que nos descontrolam. Quando estamos equilibrados, somos saudáveis - o corpo fica relaxado e a mente serena. Tornamo-nos isentos de confusões, decepções e ilusões. Aprendemos a nos orientar a partir da nossa experiência da meditação.

O equilíbrio é de importância capital, até mesmo em nossa relação com os ensinamentos espirituais. O Dharma, por exemplo, é um pouco como muitas faculdades e universidades - é-nos oferecida toda uma variedade de matérias interessantes, e podemos desperdiçar nosso tempo e energia tentando aprendê-las todas. Um grande mestre disse uma vez que o conhecimento é como as estrelas da noite - não podemos contar sua imensidão. Por isso, é melhor não tentar fazer tudo de uma só vez, mesmo no campo espiritual.

A princípio, é importante nos concentrarmos naqueles ensinamentos que são, de forma mais imediata, relevantes para nós - ensinamentos em relação aos quais nós temos uma formação. Caso contrário, jogamos fora o nosso tempo e ganhamos só frustração. Contente-se em progredir gradativamente, passo a passo, mantendo forte sua motivação e perseverando na prática da meditação. É uma grande verdade que, no desenvolvimento da meditação, o caminho mais lento é o mais rápido. Quando cultivamos nossa meditação cuidadosamente, sem forçar, os resultados serão sempre claros: embora possamos não perceber o crescimento a cada dia, ele é constante. Este caminho não é como uma chuva torrencial, que nos obriga a buscar abrigo; é mais como a neve que vai suavemente recobrindo a terra.

Torne sua meditação descontraída, aberta - sem vigiá-la ou forçá-la. As experiências da meditação virão. Estas experiências, em si, não são tão valiosas, mas podem constituir uma forma de prolongamento da meditação: certas experiências podem tocar as sutilezas da mente e ajudar a esclarecer a natureza da existência.

Tarthang Tulku Riponche - Expansão da Mente

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Dalai Lama




"Considerando a escala da vida no cosmos, uma vida humana não é mais que um pontinho minúsculo. Cada um de nós é apenas um visitante neste planeta, um convidado, que só ficará por um tempo limitado. Que loucura maior pode haver do que gastar esse tempo curto sozinho, infeliz ou em conflito com os nossos companheiros? Muito melhor, com certeza, é usar o nosso tempo aqui para viver uma vida significativa, enriquecida por nosso senso de conexão com os outros e estar a serviço deles."


Dalai Lama


Para saber mais: http://www.dalailama.org.br/ensinamentos/

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Balada do Louco

Como sabiamente diz Professor Hermógenes: "Deus me livre de ser normal!"


Balada Do Louco
(Os Mutantes)

Dizem que sou louco por pensar assim
Se eu sou muito louco por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz

Se eles são bonitos, sou Alain Delon
Se eles são famosos, sou Napoleão

Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu

Se eles têm três carros, eu posso voar
Se eles rezam muito, eu já estou no céu

Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu

Sim sou muito louco, não vou me curar
Já não sou o único que encontrou a paz

Mas louco é quem me diz
E não é feliz, eu sou feliz




quarta-feira, 25 de julho de 2012

Noites Iluminadas


Eu simplesmente adoro este livro, que não é meu, é de meu filho. Tive o maior prazer de dividir a leitura do mesmo com ele. Nós líamos uma história por noite, e quando o livro acabou nós repetimos a dose, de tanto que gostamos. Agora, que já faz um tempinho desse feito, me deu vontade de ler novamente com o Arthur, que provavelmente irá interagir melhor, conseguir "entrar" mais nas histórias, e conversar melhor sobre os temas propostos, já que está maior (acho que já faz mais ou menos um ano que nós lemos).

"Noites Iluminadas" contém vinte narrativas baseadas em técnicas de meditação, elaboradas para serem lidas para as crianças (a partir de sete anos de idade) à noite. As histórias introduzem os pequenos ao processo de  meditação de uma forma criativa, e além de ser uma ótima maneira de fazê-los "desacelerarem" na hora de dormir, estimulam valores ou temas específicos em cada história, como paciência, satisfação, estresse, insegurança, etc..

As histórias são independentes, e podem ser lidas tanto na ordem em que foram editadas no livro, quanto pelo índice de temas abordados. Ao final de cada história são propostas frases que podem ser discutidas com as crianças, referentes ao texto.

Ultrapassando a proposta do livro, que é a meditação, encontra-se o fato de ele servir como uma ferramenta para a aproximação de pais e filhos, propiciando um momento de relaxamento, que pode (e deve) ser aproveitado para estimular o diálogo, através dos pensamentos escritos no final de cada fábula.

Além de tudo isso, o livro é lindamente ilustrado, tão belo que eu dificilmente conseguia fazer o meu filho fechar os olhos para imaginar as histórias.

Para saber mais: Treinar valores de caráter fará você mais feliz

segunda-feira, 23 de julho de 2012

A alegria de viver



Há algum tempo ouvi a história de um homem e uma mulher que moravam na China, talvez há quarenta ou cinquenta anos atrás. Eles haviam acabado de se casar e, quando a noiva se mudou para a casa do marido, ela imediatamente começou a brigar com a sogra por causa de pequenas questões caseiras. Aos poucos, as diferenças aumentaram, até que esposa e sogra não suportavam sequer olhar uma para a outra. A noiva via a sogra como uma velha bruxa que interferia em tudo, enquanto a sogra pensava na jovem esposa de seu filho como uma criança arrogante que não tinha nenhum respeito para com os mais velhos.
Não havia nenhum motivo real para que a raiva houvesse crescido daquela forma. Mas, um dia, a esposa ficou tão furiosa com a sogra que decidiu que precisava tomar alguma providência para tirá-la do caminho. Então, foi ao médico e pediu um veneno para colocar na comida da sogra.

Ao ouvir as reclamações da jovem esposa, o médico concordou em vender o veneno. "Mas" ele advertiu, "se eu lhe desse algo forte e com efeito imediato, todos apontariam o dedo para você e diriam: 'Você envenenou sua sogra' e eles também decobririam que você comprou o veneno de mim, o que não seria bom para nenhum de nós. Então, vou lhe dar um veneno mais suave que terá um efeito bem gradual, de forma que ela não morrerá imediatamente".

Ele também a instruiu que, enquanto estivesse dando o remédio, deveria tratar a sogra muito, muito bem. "Sirva todas as refeições com um sorriso", ele aconselhou. "Diga que você espera que ela goste da comida e pergunte se ela quer que você faça mais alguma coisa. Seja muito humilde e doce para que ninguém suspeite de você."

Ela concordou e levou o veneno para casa. Na mesma noite, começou a colocar o veneno na comida da sogra e, muito educadamente, lhe ofereceu a refeição. Depois de alguns dias sendo tratada com tanto respeito, a sogra começou a mudar a sua opinião sobre a esposa do filho. "Talvez ela não seja tão arrogante assim", a velha mulher pensou. "Talvez eu tenha me enganado a respeito dela." E, aos poucos, começou a tratar a nora com mais gentileza, elogiando as refeições e a forma como ela administrava o lar e até conversando e contando piadas.

E, à medida que a a titude e o comportamento da mulher mudavam, o da jovem também. Depois de alguns dias ela começou a pensar: Talvez minha sogra não seja tão ruim quanto imaginei. Na verdade, ela até parece ser uma pessoa muito boa."

Isso cotinuou por cerca de um mês até que as duas mulheres passaram a ser boas amigas. E começaram a se dar tão bem que, em um determinado momento, a moça parou de envenenar a comida da sogra. E, então começou a se preocupar porque percebeu que já havia colocado tanto veneno em cada refeição que a sogra poderia morrer.

Assim, voltou ao médico e disse: "Cometi um erro. Na verdade, minha sogra é uma pessoa muito boa. Eu não deveria tê-la envenenado. Por favor, me ajude e me dê um antidoto para o veneno."

O médico ficou em silêncio por um momento depois de ouvir a moça. "Sinto muito", ele lhe disse. Não tenho como ajudá-la. Não existe um antidoto."

Ao ouvir aquilo, a moça ficou terrívelmente abalada e começou a chorar, jurando que se mataria.
Por que você iria querer se matar?, o médico perguntou.

A moça respondeu: "Por que envenenei uma boa pessoa e agora ela vai morrer. Eu deveria tirar a minha própria vida para me punir pelo ato terrível que cometi."

Mais uma vez, o médico focu em silêncio por um momento e então começou a rir.

"Como você pode rir dessa situação?" a moça perguntou, indignada.

"Porque você não precisa se preocupar com nada", ele respondeu. "Não existe antidoto para o veneno porque nunca lhe dei veneno algum. O que lhe dei foi uma erva inofensiva."

Yongei Mingyur Rinponche - A Alegria de viver, descobrindo o segredo da felicidade.