segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A condição básica para a felicidade




"A condição básica para a felicidade é a liberdade.
Não estamos nos referindo à liberdade política, e sim à liberdade que conquistamos quando nos libertamos da raiva, do desespero, do ciúme e das ilusões. Buddha os descreveu como venenos. Enquanto eles estão em nosso coração, é impossível ser feliz."

Thich Nhat Hanh.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

ISTO TAMBÉM PASSARÁ




Havia, certa vez, um rei sábio e bom, que já se encontrava no fim de sua vida. Certo dia, pressentindo a chegada da morte, chamou seu único filho, que o sucederia no trono, tirou do dedo um anel e deu-o a ele dizendo:
- Meu filho, quando fores rei, leva sempre contigo este anel. Nele há uma inscrição. Quando estiveres vivendo situações extremas de glória ou de dor, tira-o e lê o que há nele.

E o rei morreu, e seu filho passou a reinar em seu lugar, sempre usando o anel que o pai lhe deixara. Passado algum tempo, surgiram conflitos com um reino vizinho, que acabaram culminando numa terrível guerra. O jovem rei, à frente do seu exército partiu para enfrentar o inimigo. No auge da batalha, seus companheiros lutavam bravamente; mortos, feridos, tristeza, dor, o rei lembra-se do anel; tira-o e lê a inscrição:

ISTO TAMBÉM PASSARÁ.

E ele continua a luta. Perde batalhas, vence outras tantas, mas ao final, sai vitorioso. Retorna, então, ao seu reino e, coberto de glória, entra em triunfo na cidade. O povo o aclama. Neste momento ele se lembra do seu velho e sábio pai. Tira o anel e lê:

ISTO TAMBÉM PASSARÁ.

"Tudo é impermanente. Tudo que está sujeito ao surgimento está sujeito à cessação".
(Buda)

A compreensão da impermanência nos proporciona confiança, paz e alegria. A impermanência não conduz obrigatoriamente ao sofrimento. Sem ela, a vida não existiria. Sem a impermanência, sua filha não cresceria e se tornaria uma linda mulher. Sem a impermanência, os regimes políticos opressivos nunca mudariam. Mas nós achamos que a impermanência nos faz sofrer. O Budha deu o exemplo do cachorro que foi atingido por uma pedra e ficou zangado com a pedra. Não é a impermanência que nos faz sofrer, mas sim o desejo de que as coisas sejam permanentes, quando na verdade não são.
(Thich Nhat Hanh; The Heart of the Buddha's Teaching)

Texto publicado anteriormente em: https://www.facebook.com/centrozenfloripa

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Me arrependo de coisas que disse




"Me arrependo de coisas que disse, mas jamais do meu silêncio".


Pense em alguém poderoso.


Essa pessoa briga e grita como uma galinha ou olha em calmo silêncio, como um lobo? Lobos não gritam. Eles têm uma aura de força e poder. Observam em silêncio. Somente os poderosos, sejam lobos, homens ou mulheres, respondem a um ataque verbal com o silêncio.


Além disso, quem evita dizer tudo o que tem vontade, raramente se arrepende por magoar alguém com palavras ásperas e impensadas.


O erro não dito é um silencioso correto.


Exatamente por isso, o primeiro e mais óbvio sinal de poder sobre si mesmo é o silêncio em momentos críticos. Se você está em silêncio, olhando para o problema, mostra que está pensando, sem tempo para debates fúteis. Se for uma discussão que já deixou o terreno da razão, quem silencia e continua a trabalhar mostra que já venceu, mesmo quando o outro lado insiste em gritar a sua derrota. Olhe. Sorria. Silencie. Vá em frente.


Lembre-se de que há momentos de falar e há momentos de silenciar. Escolha qual desses momentos é o correto, mesmo que tenha que se esforçar para isso.


Por alguma razão, provavelmente cultural, somos treinados para a (falsa) idéia de que somos obrigados a responder a todas as perguntas e reagir a todos os ataques. Não é verdade. Você responde somente ao que quer responder e reage somente ao que quer reagir. Você nem mesmo é obrigado a atender seu telefone pessoal. Falar é uma escolha, não uma exigência, por mais que assim o pareça.


Você pode escolher o silêncio.


Além disso, você não terá que se arrepender por coisas ditas em momentos impensados, como defendeu Xenócrates, mais de trezentos anos antes de Cristo, ao afirmar: "me arrependo de coisas que disse, mas jamais de meu silêncio”.


Durante os próximos sete dias, responda com o silêncio, quando for necessário. Use sorrisos, não sorrisos sarcásticos, mas reais. Use principalmente o olhar, use um abraço ou use qualquer outra coisa para não ter que responder em alguns momentos. Você verá que o silêncio pode ser a mais poderosa das respostas. E, no momento certo, a mais compreensiva e real delas.


Aldo Novak.


Publicado inicialmente em: http://pensandozen.blogspot.com.br/2008/03/me-arrependo-de-coisas-que-disse.html

Para saber mais: http://adilsonmaestri.blogspot.com.br/2012/06/impecabilidade-da-palavra.html#links

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

O Que Você Quer Saber de Verdade

(Marisa Monte)

Vai sem direção
Vai ser livre
A tristeza não
Não resiste
Solte os seus cabelos ao vento
Não olhe pra trás
Ouça o barulhinho que o tempo
No seu peito faz
Faça sua dor dançar
Atenção para escutar
Esse movimento que traz paz
Cada folha que cair,
Cada nuvem que passar
Ouve a terra respirar
Pelas portas e janelas das casas
Atenção para escutar
O que você quer saber de verdade



segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Um Koan Budista


Existe um Koan budista que fala de um monge que fugindo de um urso faminto, chega à beira de um penhasco e tem que decidir entre saltar e ser devorado. Resolve pular, mas, no meio da queda, consegue se agarrar a uma raiz que escapava das pedras. Para piorar, quando o pobre monge olha para baixo, vê um tigre andando em círculos, esperando que ele caia para atacar. Exatamente neste momento, dois esquilos em busca de comida começam a roer a raiz onde agarrava. Com o urso em cima, o tigre embaixo e os esquilos ao lado, o monge avista, ao alcance de sua mão, uma moita de morangos silvestres com uma fruta bem grande, vermelha, madura e suculenta. Ele colhe o morango e saboreia, dizendo: "Que delícia!"


Dayse Rodrigues.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Epitáfio de um bispo anglicano




Quando eu era jovem e livre,
sonhava em mudar o mundo.
Na maturidade, descobri que o mundo não mudaria.
Então resolvi transformar meu país.
Depois de algum esforço, terminei por entender
que isto também era impossível.
No final de meu anos procurei mudar minha família,
mas eles continuaram a ser como eram.

Agora, no leito de morte, descubro que minha missão teria sido mudar a mim mesmo.

Se tivesse feito isto, eu teria sido capaz
de transformar minha família.
Então, com um pouco de sorte, esta mudança afetaria meu país e - quem sabe - o mundo inteiro.
Epitáfio de um bispo anglicano da Abadia
de Westminster, século XII

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Tempo da travessia



Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas ...
Que já têm a forma do nosso corpo ...
E esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos
mesmos lugares ...


É o tempo da travessia ...
E se não ousarmos fazê-la ...
Teremos ficado ... para sempre ...
À margem de nós mesmos...


Fernando Pessoa.