segunda-feira, 24 de setembro de 2012
O céu e o Inferno
Fala-se que em um tempo, vivia um jovem guerreiro, que ao jogar diariamente com a vida e a morte, devido a sua profissão, chegou a questionar-se sobre o problema do além . Desejava saber o que era o céu e o inferno . Quando seu coração já não podia mais suportar este mistério, dirigiu-se a uma montanha em busca de um sacerdote ancião, para que o iluminasse com seus ensinamentos. Ao encontrá-lo, saudou-o reverentemente e lhe disse :
“Oh! Venerável senhor desejaria que me instruísse sobre o que é o céu e o inferno” , ao que o mestre respondeu : “Esta pergunta é mais própria de um camponês que de um guerreiro como tu, a não ser que sejas um camponês disfarçado” . “Como dizes? ” Replicou o jovem samurai . “Digo que nem pareces um guerreiro, não somente por tua infantil pergunta, senão também pelas roupas que levas” . A tudo isto, o acidental discípulo já estava vermelho de ira por semelhante insulto, e o sacerdote continuou . “Tua falta de controle afirma minha suposição” . E já não suportando mais, o samurai desouda a sua espada e sua ira . Nesse momento, com um gesto enérgico o monge lhe diz : “Observa, isto é o inferno,” o jovem sentiu-se como que atravessado por uma flecha de vergonha, baixando a cabeça e guardando cerimonialmente a espada falou : “Perdão senhor, agora compreendo teu ensinamento” ao que o mestre respondeu : “Observa, isto é o céu” .
* Texto publicado anteriormente por Evandro Seido em: https://www.facebook.com/notes/evandro-seido/aonde-%C3%A9-o-c%C3%A9u-e-aonde-%C3%A9-o-inferno/10150133075975712
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
AMOR E SOLIDÃO
Onde está o
silêncio? Onde está a solidão? Onde está o Amor?
Definitivamente,
eles não podem ser encontrados em lugar nenhum exceto na base de nosso próprio
ser. Lá, nas profundezas silenciosas, não há mais distinção entre o Eu e o
Não-eu. Há perfeita paz, porque estamos assentados no Amor infinito, criativo e
redentor. Lá encontramos Deus, que os olhos não podem ver, e em Quem, como diz
São Paulo, “temos a vida, o movimento e o ser” (At 17,28). Nele também
descobrimos a solidão, como disse São João da Cruz, descobrimos que o Tudo e o
Nada se encontram e são o Mesmo.
Se não há silêncio
além e dentro das muitas palavras de doutrina, não há religião, apenas uma
ideologia religiosa. Porque religião vai além das palavras e ações, e chega à
verdade última somente no silêncio e no Amor. Onde falta este silêncio, onde há
apenas “muitas palavras” e não a Palavra Única há muita agitação e atividade,
mas não há paz, nem pensamento profundo, nem compreensão, nem tranqüilidade
interior. Onde não há paz, não há luz nem amor. A mente hiperativa aparenta a
si mesma estar desperta e produtiva, mas está sonhando, levada pela fantasia e
pela dúvida. Somente no silêncio e na solidão, na tranqüilidade da adoração, na
paz reverente da oração, na adoração na qual o ego-eu inteiro silencia e se
rebaixa na presença do Deus Invisível para receber Sua única Palavra de Amor;
somente nessas “atividades” que são “não-ações”, o espírito desperta
verdadeiramente do sonho de uma existência variada, confusa e agitada.
Precisamente
devido a isso, o homem moderno ocidental tem medo da solidão. Ele é incapaz de
ficar sozinho, em silêncio. E está transmitindo sua
enfermidade mental e espiritual aos homens do Oriente. A Ásia vê-se gravemente
tentada pela violência e pelo ativismo do Ocidente e aos poucos está perdendo o
controle de seu tradicional respeito pela sabedoria silenciosa. Por isso, é
ainda mais necessário agora redescobrir o clima de solidão e de silêncio: não
que todo o mundo possa se afastar e viver sozinho. Mas, em momentos de
silêncio, de meditação, de esclarecimento e de paz, aprendemos a guardar silêncio
e ficarmos sozinhos em toda parte. Aprendemos a viver na atmosfera de solidão
mesmo no meio das multidões. Não “divididos”, mas um com todos no Amor de Deus.
Pois aprendemos a ser Ouvintes que são não Não-Ouvintes e aprendemos a esquecer
todas as palavras e escutar apenas a Palavra Única que parece ser a
Não-Palavra. Abrimos a porta interior do coração para os silêncios infinitos do
Espírito, de cujos abismos jorra sem falha o amor e se dá a todos. Somente em
Seu silêncio pode-se distinguir a verdade das palavras, não em seu isolamento,
mas em seu apontar para unidade central do Amor. Todas as palavras, então,
dizem somente uma coisa: que tudo é amor.
Thomas Merton
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
SATORI
Se quisermos expressar o que é a iluminação em termos psicológicos,
eu diria que ela é um estado em que o indivíduo está completamente em
sintonia com a sua realidade interna e externa, em que está plenamente
consciente da realidade e a capta de modo integral. Ele está consciente
dela, isto é, não se trata do seu cérebro, nem qualquer outra parte do
seu organismo, mas ele, o homem inteiro. Ele está consciente dela; não
como se a realidade fosse um objeto que ele capta com seu pensamento,
mas ele capta a flor, o cachorro, o homem, em sua realidade completa.
Aquele que desperta está aberto e é capaz de responder ao mundo, e ele pode ser
aberto e ser capaz de responder ao mundo porque renunciou a agarrar-se a
si mesmo como uma coisa, e assim tornou-se vazio e capaz de perceber.
Estar iluminado significa “o completo despertar da personalidade total
diante da realidade.”
Texto publicado anteriormente por Evandro Seido em: https://www.facebook.com/notes/evandro-seido/erich-fromm-a-psicologia-do-satori-ou-ilumina%C3%A7%C3%A3o/10150122038665712
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Conto Zen
Certo dia, um Samurai, que era um guerreiro muito
orgulhoso, veio ver um
Mestre Zen. Embora fosse muito famoso, ao olhar o Mestre, sua beleza e o
encanto daquele momento, o samurai sentiu-se repentinamente inferior.
.
Ele então disse ao Mestre:
- "Pôr que estou me sentindo inferior? Apenas um momento atrás, tudo
estava bem. Quando aqui entrei, subitamente me senti inferior e jamais me
sentira assim antes. Encarei a morte muitas vezes, mas nunca experimentei
medo algum. Pôr que estou me sentindo assustado agora?"
.
O Mestre falou:
- "Espere. Quando todos tiverem partido, responderei."
.
Durante todo o dia, pessoas chegavam para ver o Mestre, e o samurai estava
ficando mais e mais cansado de esperar. Ao anoitecer, quando o quarto
estava vazio, o samurai perguntou novamente:
- "Agora você pode me responder pôr que me sinto inferior?"
.
O Mestre o levou para fora. Era um noite de lua cheia e a lua estava
justamente surgindo no horizonte. Ele disse:
- "Olhe para estas duas árvores: a árvore alta e a árvore pequena ao seu
lado. Ambas estiveram juntas ao lado de minha janela durante anos e nunca
houve problema algum. A árvore menor jamais disse à maior: " Pôr que me
sinto inferior diante de você? " Esta árvore é pequena e aquela é grande -
este é o fato, e nunca ouvi sussurro algum sobre isso."
.
O samurai então argumentou:
- "Isto se dá porque elas não podem se comparar."
.
E o Mestre replicou:
Então não precisa me perguntar. Você sabe a resposta. Quando você não
compara, toda a inferioridade e superioridade desaparecem. Você é o que é
e simplesmente existe. Um pequeno arbusto ou uma grande e alta árvore, não
importa, você é você mesmo.
.
Uma folhinha da relva é tão necessária quanto a maior das estrelas. O canto
de um pássaro é tão necessário quanto qualquer Buda, pois o mundo será menos
rico se este canto desaparecer.
.
Simplesmente olhe à sua volta. Tudo é necessário e tudo se encaixa. É uma
unidade orgânica: ninguém é mais alto ou mais baixo, ninguém é superior ou
inferior. Cada um é incomparavelmente único. Você é necessário e basta. Na
Natureza, tamanho não é diferença. Tudo é expressão igual de vida!
encanto daquele momento, o samurai sentiu-se repentinamente inferior.
.
Ele então disse ao Mestre:
- "Pôr que estou me sentindo inferior? Apenas um momento atrás, tudo
estava bem. Quando aqui entrei, subitamente me senti inferior e jamais me
sentira assim antes. Encarei a morte muitas vezes, mas nunca experimentei
medo algum. Pôr que estou me sentindo assustado agora?"
.
O Mestre falou:
- "Espere. Quando todos tiverem partido, responderei."
.
Durante todo o dia, pessoas chegavam para ver o Mestre, e o samurai estava
ficando mais e mais cansado de esperar. Ao anoitecer, quando o quarto
estava vazio, o samurai perguntou novamente:
- "Agora você pode me responder pôr que me sinto inferior?"
.
O Mestre o levou para fora. Era um noite de lua cheia e a lua estava
justamente surgindo no horizonte. Ele disse:
- "Olhe para estas duas árvores: a árvore alta e a árvore pequena ao seu
lado. Ambas estiveram juntas ao lado de minha janela durante anos e nunca
houve problema algum. A árvore menor jamais disse à maior: " Pôr que me
sinto inferior diante de você? " Esta árvore é pequena e aquela é grande -
este é o fato, e nunca ouvi sussurro algum sobre isso."
.
O samurai então argumentou:
- "Isto se dá porque elas não podem se comparar."
.
E o Mestre replicou:
Então não precisa me perguntar. Você sabe a resposta. Quando você não
compara, toda a inferioridade e superioridade desaparecem. Você é o que é
e simplesmente existe. Um pequeno arbusto ou uma grande e alta árvore, não
importa, você é você mesmo.
.
Uma folhinha da relva é tão necessária quanto a maior das estrelas. O canto
de um pássaro é tão necessário quanto qualquer Buda, pois o mundo será menos
rico se este canto desaparecer.
.
Simplesmente olhe à sua volta. Tudo é necessário e tudo se encaixa. É uma
unidade orgânica: ninguém é mais alto ou mais baixo, ninguém é superior ou
inferior. Cada um é incomparavelmente único. Você é necessário e basta. Na
Natureza, tamanho não é diferença. Tudo é expressão igual de vida!
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Essência - Conto Zen
Um poeta muito célebre, Sakuraten, foi visitá-lo e, ao vê-lo fazer zazen, disse-lhe:
"Tomai cuidado, que isso é perigoso; podereis, um dia, cair do pinheiro!"
"De maneira nenhuma," respondeu mestre Dori. "Vós é que correis perigo de um dia cair."
Sakuraten refletiu: "Com efeito, vivo dominado por paixão, é como brincar com o raio".
E perguntou ao mestre Zen: "Qual é a verdadeira essência do Buddhismo?"
Mestre Dori respondeu: "Não façais nada violento, praticai somente o aquilo que é justo e equilibrado."
"Mas até uma criança de três anos sabe disso!" exclamou o poeta.
"Sim, mas é uma coisa difícil de ser praticada até mesmo por um velho de oitenta anos..." completou o mestre.
* Texto publicado anteriormente por Evandro Seido em: https://www.facebook.com/notes/evandro-seido/hist%C3%B3ria-zen-ess%C3%AAncia/10150135240185712
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Feliz.
Quando eu tinha 5 anos, minha mãe sempre me disse que a felicidade era a chave para a vida. Quando eu fui para a escola, me perguntaram o que eu queria ser quando crescesse. Eu escrevi “feliz”. Eles me disseram que eu não entendi a pergunta, e eu lhes disse que eles não entendiam a vida.
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
O JARDIM DAS BORBOLETAS
Com o tempo você vai percebendo que
para ser feliz com outra pessoa,
você precisa em primeiro lugar, não precisar dela.
Percebe também que aquela pessoa que você ama
ou acha que ama, e que não quer nada com você,
definitivamente, não é a pessoa da sua vida.
Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e,
principalmente, a gostar de quem também gosta de você.
O segredo é não correr atrás das borboletas...
é cuidar do jardim para que elas venham até você.
No final das contas, você vai achar,
não quem você estava procurando,
mas quem estava procurando por você..!
Mário Quintana.
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