quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Ensinamentos sobre o amor.


"Um pai pode pensar que é "dono" de seu filho: "Você tem que obedecer a tudo o que eu determinar. Estude isso, faça aquilo ou não o reconhecerei como filho." Um rapaz pode dizer para a sua namorada: "Você não pode fazer compras a tal hora, não pode usar esse perfume, não pode usar esta cor." Amar dessa maneira tóxica é como colocar grilhões no amado. O amor que certa vez pareceu um castelo transformou-se em uma verdadeira prisão. Quando a pintura começa a descolar, as grades da prisão aparecem, e ambos sentem-se aprisionados, incapazes de escapar. O contrato de casamento torna-se uma sentença de prisão perpétua sem possibilidade de libertação. Separação ou continuar juntos, as duas situações são insuportáveis. Isso é verdadeiro não só para casamentos como também para relacionamentos entre pais e filhos, amigos, mestres e alunos. É fundamental aprendermos a amar preservando a liberdade do ser amado, permitindo que a individualidade mútua se mantenha. Esse é o tipo de amor que o Buda ensinou."

Thich Nhat Hanh em "Ensinamentos sobre o amor - desenvolvendo a capacidade de amar com alegria e compaixão."

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Mar Português



"Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu"


(Fernando Pessoa – 1888-1935)

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Transformações na Consciência.


Este livro foi escrito por Thich Nhat Hanh, um dos autores budistas que eu mais gosto de ler. Seus livros são deliciosos e seus ensinamentos profundos. "Transformações na Consciência" é um livro dedicado à psicologia budista, assunto por demais interessante. Pelo menos no meu ponto de vista. Tendo como base os "Cinquenta Versos sobre a Natureza da Consciência" o autor faz com que possamos compreender como funciona a nossa mente.

Os Cinquenta Versos constituem a corrente mais importante do pensamento budista na Índia e explicam o modo como a mente funciona, a partir deste ponto de vista. Eles são divididos em seis partes, onde a primeira delas nos descreve a consciência armazenadora, a segunda refere-se à manas, a parte três define a consciência mental, a parte quatro é destinada à consciência dos sentidos, a quinta parte nos introduz à natureza da realidade e a última parte nos fala sobre o caminho da prática. O autor dispensa para cada uma das seis partes dos Cinquenta Versos um capítulo do livro, o que o torna um guia completo para quem quer estudar a base da psicologia budista. Na minha opinião não é um livro para ser lido uma vez apenas, é para ser estudado.

Eu gostei tanto do livro que não respeitei a sugestão do autor de ler o livro aos poucos, por ser de difícil compreensão. Porém tenho que confessar que não consegui lê-lo até o final. Mas não por preguiça, falta de interesse ou de entendimento, mas por ter sido muito inspirador. Percebi que existiam algumas "sementes" em mim que precisavam ser regadas (ainda estou regando), fechei o livro e fui em busca desse objetivo. Acredito que quando voltar à leitura do mesmo preciso voltar ao começo do livro, preciso fazer anotações, e quem sabe, conseguirei chegar à última página.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A vida é como um piquenique


A vida é como um piquenique numa tarde de domingo, ela não dura muito tempo. Só ...olhar o sol, sentir o perfume das flores ou respirar o ar puro já é uma dádiva. Mas se tudo o que fazemos é ficar discutindo onde pôr a toalha, quem vai sentar em que canto, quem vai ficar com a maçã ou com a laranja..., que desperdício! Mais cedo ou mais tarde o tempo fecha, a tarde cai e o piquenique acaba. E tudo o que fizemos foi ficar discutindo e implicando uns com os outros. Pense em tudo o que se perdeu.

(Chagdud Tulku Rinpoche)

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O Laço e o Abraço



Meu Deus! Como é engraçado!

Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... uma fita dando voltas.
Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o laço.
É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço.
É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço.
E quando puxo uma ponta, o que é que acontece?
Vai escorregando... devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.
Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.
E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.
Ah! Então, é assim o amor, a amizade.
Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita.
Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora,
deixando livre as duas bandas do laço. Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços.
E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço.
Então o amor e a amizade são isso...
Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço.

Mário Quintana

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

MEDITAÇÃO: DEIXE SER O QUE É



O ensinamento do Buda corresponde a um modo de vida. É um caminho para se viver uma vida equilibrada, serena e proveitosa: um caminho que nos oferece uma saída para a série infindável de problemas e lutas que enfrentamos na vida. Podemos descobrir este caminho na meditação, uma via que nos abre para o significado da iluminação. 

Embora a meditação seja, na verdade, muito simples, é fácil nos confundirmos com as muitas e diferentes descrições das práticas meditativas. Esqueça-as todas e apenas sente-se em silêncio. Fique muito quieto e relaxado, e não tente fazer nada. Deixe tudo - pensamentos, sentimentos e conceitos - passar por sua mente, sem atrair sua atenção. Não agarre as idéias ou pensamentos à medida que vêm e vão, nem tente manipulá-los. Quando você acha que tem que fazer alguma coisa em sua meditação, apenas a torna mais difícil. Deixe que a meditação se faça por si mesma.

Depois de ter aprendido a deixar os pensamentos passar por você, deles diminuem de velocidade e quase desaparecem. Então, atrás do fluxo dos pensamentos, você sentirá uma sensação que constitui a base da meditação. Quando entrar em contanto com este lugar silencioso que há por trás de seus diálogos internos, deixe que sua consciência dele fique mais forte. Você pode simplesmente repousar nesta quietude, porque, nela, não há nada a fazer; não há motivo algum para produzir alguma coisa ou parar alguma coisa. Apenas deixe tudo ser.

Quando meditamos deste modo simples e receptivo, a qualidade meditativa gradualmente se torna mais pronunciada e sua experiência mais imediata. Após cada meditação, a luz desta experiência permanecerá e se fortalecerá com a prática. A meditação simplesmente vem por si própria, como o Sol da manhã; a atenção interior, uma vez tocada, irradia-se naturalmente. Todavia, encontrar esta atenção interior requer prática diária, de modo que é importante reservar tempo para a meditação.

À medida que perseverarmos em nossa prática, saberemos, ao examinar nossas vidas, se estamos no caminho certo e se a nossa meditação é eficaz. Quando a nossa mente está serena e mais amorosa, quando as nossas emoções são constantes e estáveis, e a nossa vida transcorre sem tropeços, então saberemos que estamos progredindo.

O silêncio interior que brota da meditação alivia a tensão destes tempos de mudanças rápidas, em que é tão fácil perdermos nosso senso de estabilidade e de equilíbrio. Ao tentar fazer coisas demais em tempo muito curto, podemos ficar agitados e transtornados. Porém, quando nossa mente está relaxada e quieta, a vida se torna simples e equilibrada, livre de extremos que nos descontrolam. Quando estamos equilibrados, somos saudáveis - o corpo fica relaxado e a mente serena. Tornamo-nos isentos de confusões, decepções e ilusões. Aprendemos a nos orientar a partir da nossa experiência da meditação.

O equilíbrio é de importância capital, até mesmo em nossa relação com os ensinamentos espirituais. O Dharma, por exemplo, é um pouco como muitas faculdades e universidades - é-nos oferecida toda uma variedade de matérias interessantes, e podemos desperdiçar nosso tempo e energia tentando aprendê-las todas. Um grande mestre disse uma vez que o conhecimento é como as estrelas da noite - não podemos contar sua imensidão. Por isso, é melhor não tentar fazer tudo de uma só vez, mesmo no campo espiritual.

A princípio, é importante nos concentrarmos naqueles ensinamentos que são, de forma mais imediata, relevantes para nós - ensinamentos em relação aos quais nós temos uma formação. Caso contrário, jogamos fora o nosso tempo e ganhamos só frustração. Contente-se em progredir gradativamente, passo a passo, mantendo forte sua motivação e perseverando na prática da meditação. É uma grande verdade que, no desenvolvimento da meditação, o caminho mais lento é o mais rápido. Quando cultivamos nossa meditação cuidadosamente, sem forçar, os resultados serão sempre claros: embora possamos não perceber o crescimento a cada dia, ele é constante. Este caminho não é como uma chuva torrencial, que nos obriga a buscar abrigo; é mais como a neve que vai suavemente recobrindo a terra.

Torne sua meditação descontraída, aberta - sem vigiá-la ou forçá-la. As experiências da meditação virão. Estas experiências, em si, não são tão valiosas, mas podem constituir uma forma de prolongamento da meditação: certas experiências podem tocar as sutilezas da mente e ajudar a esclarecer a natureza da existência.

Tarthang Tulku Riponche - Expansão da Mente

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Dalai Lama




"Considerando a escala da vida no cosmos, uma vida humana não é mais que um pontinho minúsculo. Cada um de nós é apenas um visitante neste planeta, um convidado, que só ficará por um tempo limitado. Que loucura maior pode haver do que gastar esse tempo curto sozinho, infeliz ou em conflito com os nossos companheiros? Muito melhor, com certeza, é usar o nosso tempo aqui para viver uma vida significativa, enriquecida por nosso senso de conexão com os outros e estar a serviço deles."


Dalai Lama


Para saber mais: http://www.dalailama.org.br/ensinamentos/